quarta-feira, 11 de junho de 2008

"Comunicação de crise" não interessa aos políticos

A comunicação tornou-se parte integrante da política. A vida política é influenciada pelos jornalistas, pelas sondagens e principalmente pelo Marketing político.

Dentro da comunicação temos o espaço mediático que é algo que esta constantemente a ser disputado e em alguns episódios vê-se claramente isso. Para que consigam um lugar nesse espaço, a mensagem tem que ser subtil e sofisticada, no episódio “ 18 Th And Poto Mac”, C.J. quer que um canal aceite a notícia sobre a doença do Presidente e como é algo tão importante, ela acha que o canal vai aceitar, mas para isso, também é preciso que a mensagem seja interessante, têm assim que ter preparada uma estratégia bem definida, para que os jornalistas se interessem.

O ponto mais importante, é a crise, nunca se pode controlar e que pode estragar muitas vezes a imagem das pessoas. Para reagir a crise, podemos falar com verdade e transparência ao que se chama comunicação de crise ou então podemos optar pelas “manobras de bastidores”, que é desviar a atenção do que aconteceu ou está a acontecer. É importante saber reagir em momentos de crise, não só o Presidente como os assessores, eles têm que estar sempre preparados para essas situações, tem que saber enfrentar, assumir, reconhecer, vemos isso no episódio “Ele fará de vez em quando”, em que C.J. fica a saber que vai se tornar pública uma notícia sobre Leo, de ele no passado ter tido problemas com álcool e com drogas, Leo prefere realizar uma conferência de imprensa e contar que teve esses problemas, mas que esteve depois internado numa clínica de reabilitação, enfrentando assim a imprensa, neste caso, ele reagiu com verdade e transparência optando pela chamada comunicação de crise.

No episódio “18 Th And Poto Mac” vemos a crise em vários assuntos, mas todos eles ligados, em primeiro lugar a doença do presidente Bartlet em que a sua equipa tenta de tudo para que não seja divulgado nada, acabando por prepararem uma conferência de imprensa onde o Presidente vai admitir a sua doença, mais uma vez o Presidente e os assessores optam pela verdade, o Presidente Bartlet assume e enfrenta a imprensa. Outra situação de crise acontece com a primeira-dama, Abigail Bartlet, que juntamente com o presidente vai dar a conferência, mas surge problemas, pois ela passou receitas que enviou para três Estados, violando as leis desses Estados e tratou o marido, sendo proibido tratar familiares, e então dizem para ela arranjar um advogado caso os jornalistas falem disso.

Há sempre maneiras diferentes de reagir à crise. No episódio “Sentido” também a Casa Branca se depara com outra crise, devido a um acidente provocado por uma torre de perfuração de urânio que caiu em cima de um túnel em Idaho, o presidente e a sua equipa estão preocupados pois temem que o acidente possa causar danos no meio ambiente ou até uma crise terrorista e no episódio “Universitários” a crise pois em Kendall, destruíram provas de um acidente e os E.U.A mataram o Sharref e agora querem ocultar isso, então Leo e o Presidente contratam uma advogada. Contudo, tentam arranjar uma estratégia para criar ilusões, aqui já é diferente, a Casa Branca tenta não assumir o erro ao tentar arranjar uma estratégia para criar ilusões.

Para responder à crise os assessores têm que reunir toda a informação possível sobre o sucedido, não apressar em comunicar publicamente e principalmente propor uma solução e manter a calma. Por outro lado, os assessores não devem informar sem prévio conhecimento e aprovação de toda a equipa que esta envolvida, não devem mentir, embora muitas vezes isso aconteça, não podem mostrar incompetência, esconder informações sobre o assunto em questão e só comunicar com aqueles que os apoiam.

Além das manobras de diversão como elementos de estratégias de comunicação, temos os pseudo-eventos, que é algo que não é espontâneo, é planeado, é criado para ser coberto pelos media e funciona como uma auto promoção, tudo isto é feito para que os jornalistas noticiem o que eles querem, é uma espécie de falsa realidade. Um exemplo de pseudo-evento é a fuga de informação que aparece evidenciada em alguns episódios dos homens do Presidente.

O episódio “Vida em Marte”, é muito importante em relação à fuga de informação, pois há uma fuga de informação sobre a existência de Marte. Acaba-se por descobrir que foi o vice-presidente, Jonh Hoynes que tinha uma amante e que mostrou-lhe as provas da existência de Marte, mais uma vez a assessoria tem um papel importante, principalmente C.J. que faz de tudo para que a situação não piore, como assessora tenta sempre resolver todos os problemas antes de confrontar os jornalistas, o que é um ponto muito importante nas estratégias de comunicação.

Os assessores são elementos muito importantes, têm que ter um conhecimento profundo daquilo que pretendem falar ou divulgar, participam em tudo o que diz respeito à Casa Branca, em vários episódios vemos que todos os problemas que aparecem os assessores têm sempre que arranjar uma solução, um assessor como Josh, C.J, Sam e Toby não é apenas uma pessoa que vai falar com os jornalistas, por trás disso, existe muito mais.

A fuga de informação também esta presente no episódio “Things Fall Apart”, sobre um vaivém espacial secreto que vai salvar os astronautas, e já é publico pois esta na Internet. Hoje em dia, com a evolução das tecnologias, já não se pode controlar muito bem aquilo que se passa, por vezes esta evolução é um ponto negativo para os políticos como vemos neste episódio.

A fuga de informação é assim, um instrumento privilegiado da comunicação política, significa dar um exclusivo a uma pessoa, por antecipação.

A comunicação de crise é tudo aquilo que se faz na sequência de uma situação adversa. A comunicação de crise pode e deve ser preparada. Pior do que as consequências da crise, são as consequências de não reagir à crise, ou seja, aumentar suspeitas, rumores e críticas, que coloca em causa a credibilidade e a confiança.

Deve-se reagir á crise com a verdade e a oportunidade, quando se descobre algo, que não era suposto descobrir, tem que se arranjar uma solução e o melhor é ter a oportunidade de dizer a verdade.

Dentro da crise, o marketing político é muito importante, pois não se ganha eleições sem ele, no episódio “Lies, Damn Lies And Statistics” aparece a mentira como instrumento de marketing político.

No marketing político vale tudo, pois a política é temporária para cada político, é importante para opinião pública e a política condiciona a vida das pessoas. É necessário, campanhas eleitorais. O marketing político usa as sondagens, que é um elemento noticioso importante, pois através das sondagens consegue-se perceber se se está ou não a comunicar com o público, nesse mesmo episódio também faz referência as sondagens, em que o Presidente está a comunicar bem pois subiu 9 pontos.

“As sondagens são a única forma de consultar antes das eleições o próprio povo; uma boa sondagem depende da construção do questionário, da constituição da amostra e do rigor (honestidade) da interpretação dos resultados.”

As sondagens pedidas pelo protagonista que depois são divulgadas acabam sempre por ser uma forma de manipulação política. Existe assim três tipos de sondagens: as por telefone, as presidenciais e o focus group.

O Focus Group existe agora na política, por exemplo Sócrates foi o primeiro político a ganhar as eleições pelo focus group, isto é cria-se uma amostra a nível nacional, tipo de 15 pessoas e elas decidem o que preferem. No filme Boris aparece muito as sondagens como um papel importante, em primeiro lugar os consultores fazem uma simulação de sondagens para aumentar os votos, depois pedem uma sondagem com perguntas sobre o presidente, aqui vemos também a manipulação, apesar de a sondagem ser negativa e por último fazem uma sondagem para ver se as pessoas gostam do presidente a sorrir, mais uma vez uma forma de manipulação, que mais tarde leva o Presidente Russo a ganhar as eleições.

A publicidade também é um instrumento importante no marketing político e principalmente na assessoria, como vemos ao longo dos episódios, C.J. a dar conferências de imprensa, declarações, entre outras coisas, assim a assessoria é notória pois o político só chega às pessoas através da comunicação social, tudo isto faz parte do marketing político, e uma estratégia para se ganhar as eleições.

Temos também o soundbite que é importante devido ao espaço mediático, isto é como hoje em dia, há sempre mais protagonistas do que espaço mediático, os protagonistas têm que criar algo que tenha impacto, por exemplo, uma frase com poucos segundos que chega ao coração dos jornalistas, a isso que criam chama-mos o soundbite. Só funciona se for ampliado para os políticos, não chega apenas ser uma boa intenção. No filme Boris o presidente utiliza muito o discurso curto para atrair atenções, utiliza um soundbite de apenas 5 segundos, porque a mensagem ser transmitida é o essencial.

O marketing político tem tanta força que é capaz de artificializar as pessoas, de tal maneira, que diz o que o político tem que dizer em público, o que vai vestir, a maneira como mexe as mãos, a forma como fala, para onde olha, tudo isto acabam por ser estratégias de comunicação importantes numa campanha política. No “Boris” a primeira atitude que os consultores tomam é mudar a imagem do presidente, para atrair mais atenções, e logo de seguida fizeram com que ele aparece-se na televisão para falar com o público, manipulação presente, pela forma como o presidente aparece na televisão, apenas porque há uma vaga.

Temos também as campanhas negativas que é o jogo do vale tudo e que também interessa ao marketing político, à crise. As suas características são: acusações, insinuações, comparações, rumores, a publicação de cartazes e publicidade redigida e insultos. No episódio “The Al Smith Dinner”, um dos candidatos aproveita um mau anúncio do aborto de outro candidato, para levar em frente uma campanha negativa. Também no filme Boris eles utilizam a campanha negativa, isto é os consultores dizem ao Presidente Russo para atacar os comunistas. A campanha negativa é má, mas ao mesmo tempo faz com que a pessoa que a usa consiga aquilo que quer, derrubar o adversário.

Ao longo do relatório, dei vários exemplos de manipulação. Manipulação é assim o que os políticos fazem através da comunicação social para influenciar a opinião pública. Mas manipular nem sempre é o mesmo que manipular, deve-se manipular no sentido de alterar a realidade ao gosto do protagonista para assim apresentar ao jornalista.

Perante uma crise podemos reagir de duas formas em relação a manipulação, ou escolhe-se uma parte da realidade e apresenta-se para servir certos interesses ou então altera-se ou mente-se sobre a realidade e apresenta-se para servir determinado interesse. Os políticos na maior parte das vezes ou se servem dos jornalistas, isto quando tudo corre bem ou acusam de manipular a verdade quando corre mal, sendo os jornalistas quem leva à opinião pública a mensagem política, são assim as primeiras vítimas de manipulação, os políticos aproveitam-se sempre deles e muitas vezes os jornalistas não percebem que estão a ser vítimas de manipulação ou então quando descobrem já é tarde demais.

Dentro da manipulação, há o “spinning” da informação, que é a manipulação levada ao extremo, temos assim o spin doctor, que é “alguém que tenta influenciar a opinião pública através de uma informação manipulada, apresentada ao público ou aos media, com vista a ganhar, no imediato ou mais tarde, eleições”. Um spin doctor pode ser também um assessor de imprensa mas mais elevado, pois desempenha outras funções mais importantes. O spin doctor está associado à resolução de problemas da crise, mas nunca de uma forma verdadeira, mas sim através da mentira, manipulação e manobras de bastidores. Nos Homens do Presidente, não se consegue definir muito bem quem é spin doctor, mas devido a algumas atitudes, Leo é o mais parecido com um spin doctor, pois por exemplo no episódio “Universitários” há uma crise e Leo contrata logo uma advogada para resolver essa crise, uma estratégia, bem como na maneira como ele aconselha o Presidente Bartlet.

O spin doctor tem que influenciar a opinião, manipula a informação, constrói a opinião, aconselha sempre o líder, não é o (puro) assessor de imprensa, inventa ideias e imagens, recorre muito ao focus group e selecciona as ideias principais, em função da opinião pública, aquelas que ela tem de saber e receber, tem acesso ao poder e uma relação de confiança com o poder e nunca aparece. Vemos a maior parte destas funções no filme “Manobras na Casa Branca”, principalmente quando criam uma guerra em estúdio com uma jovem albanesa a fugir com um gato branco na mão para deixarem de falar do escândalo sexual do Presidente e transmitem para o jornal, isto é uma estratégia, uma manobra de bastidores, inventar certas coisas que sabe que daqui a pouco tempo estão na comunicação social e mesmo em relação ao Presidente ele concorda sempre com tudo o que o spin doctor diz, mostra que confia plenamente nele.

O spin doctor nunca revela o seu papel, é secreto, na teoria não existe. Um exemplo, é no “Manobras na Casa Branca” se alguém descobrisse algo, o spin doctor nunca iria ser culpado, quem seria era o presidente É claro, que nem sempre corre bem o spinning, por isso é que sabemos que há spin doctor pelos casos que correram mal, porque se tudo correr como o planeado nunca se descobre.

Tudo isto faz parte da crise, são processos difíceis, pelo qual os políticos evitam passar, daí a “comunicação de crise” não interessar aos políticos. Mas as vezes a crise pode resolver muitos problemas, pois como há crise os jornalistas estão mais atentos e ao mesmo tempo faz com que apareça na televisão tudo relacionado com ela, o que pode ser publicidade para o partido e os políticos.

É claro, que é raro uma crise ter o seu lado bom. Os políticos não gostam da comunicação de crise pois perdem a credibilidade, não gostam da crítica, são acusados de não estarem a governar direito. Principalmente, nas campanhas eleitorais em que as sondagens as vezes podem ajudar a influenciar o eleitor e porque também são criticados severamente.

Assim, o político tem que saber ocupar terreno dia após dia, ou desaparece.


A “comunicação de crise”, é o que está em questão no relatório, pois é evidente que os políticos não gostam de passar por ela. É um tema muito actual neste momento, tanto pode ser positiva como negativa para a política, dependendo do tipo de crise a que um partido ou um governo está sujeito.

Nenhum político está totalmente preparado para enfrentar uma comunicação de crise. No entanto com o aparecimento de erros deve-se tirar o melhor proveito pois preparar-se para uma crise é evoluir, antevendo, planeando e para poder no futuro gerir essa crise.